terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cinco minutos com Jesus


Se não me falha a memória, cerca de 30% da população mundial é cristã. Bem, uma vez que somos, atualmente, 7 bilhões, e que um número considerável deste montante é de crianças, que só pertencem à alguma religião por pura estupidez dos seus pais, é razoável afirmar que um percentual ainda menor de homens e mulheres acreditam em Cristo.
E você pergunta: e daí, Victor?
Bem, e daí que esses respeitáveis cristãos desconsideram, por ignorância ou conveniência, ou a soma dos dois (o que é, para mim, a mistura mais provável) a falta absoluta (e quando uso este termo tão taxativo, o faço sem receio de mostrar qualquer intolerância) de evidências (provas concretas) Históricas para a existência do messias que dividiu a história ocidental em antes e depois dele. Sendo assim, como é possível (e não vou dizer que a resposta está na especulação que fiz algumas linhas acima) que uma parcela nada significativa de primatas que pensam que pensam continuem a influenciar tão decisivamente a política e a economia mundial usando como justificativa os imperativos morais (que deixou bem claro que você irá queimar no inferno, literalmente, se não acreditar nele) de uma personagem fictícia?
A resposta, é claro, pode ser investigada nas réplicas imediatas e emocionadas não só de fervorosos defensores apedeutas (a maioria, obviamente), mas também nos inflamados e irascíveis argumentos dos intelectuais cristãos (isso é uma piada, né?) que nos derramam calhamaços de documentos "verossímeis" sobre a existência do redentor.
Ah, fala sério!!! Se você ainda não sabe, temos um número belíssimo de culturas, civilizações, muito mais antigas que o surgimento do cristianismo que nos contam a mesma história: um deus, ou salvador, nascido de uma virgem, que ressucitou tres dias após a sua morte, e blá, blá, blá, todo o espectro da historinha do ungido mais famoso de todos, até agora. Como, meu deus (eheheh), como, ainda nos deparamos com adultos que negam esse esclarecedor detalhe? Mais uma vez: ignorância e medo. Ignoram os fatos e temem-no como o diabo à cruz (hoje estou demais), pois tirar-lhes a esperança (Nietzsche estava bem certo ao dizer que esta é o pior flagelo da humanidade, neste caso) de uma vida além túmulo (porque nesta aqui tá difícil) cheia de recompensas ao lado daquele que está sentado ao lado direito (olha a intolerância com os canhotos...) de deus pai (sexismo...) todo poderoso.
Então, meus queridos, e queridas, defensores fervorosos de JC, que muito provavelmente deveria estar na mesma estante onde encontramos o Super-Homem, a Pedra Filosofal e Guerra dos Tronos, façam o favor de  esclarecer sua resolutas sentenças morais e éticas se quiserem sustentá-las nas costas de uma personagem tão crível quanto seu inefável Pai. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Antes do nada? Nada.


Você sabe o que foi o Big-Bang, não é mesmo? Aquela explosão (tudo bem, os cientistas sabem que, na real, não foi uma explosão de fato) que originou o universo há cerca de 13,5 bilhões de anos (um pouco mais, um pouco menos). Muitos teístas aceitam este fato científico (fato científico, para mim, é pleonasmo vicioso, mas esta é outra história...) tranquilamente, sem que suas crenças sejam comprometidas por esta evidência. O que os tira do sério, ao que parece, é a resposta da ciência a uma perguntinha básica:
Ok, o Big-Bang gerou o universo, mas me diga uma coisa, o que havia antes do grande "Cabum"? 

E os cientistas, plácidos, tranquilos com o que vem a seguir, mandam: nada. Isso mesmo, caro leitor, nada! Mas, como assim? As coisas não surgem do nada! Para todo efeito há uma causa! É física, meu chapa, física! 
Isso parece um argumento insofismável, não é mesmo? É, só parece, se você realmente acredita que sabe alguma coisa sobre Física (com letra maiúscula, por favor!). E sabe porque? Porque os cientistas sabem (quanto sabe, um atrás do outro!), há algum tempo que as coisas podem vir do nada, sim. E elas acontecem a toda hora. Em nível subatômico, as coisas vem do nada e vão sabe-se lá pra onde, a todo instante. É tão corriqueiro, que este fato em si já é, creio, enfadonho para a comunidade científica. O que deve gerar euforia, ainda, é saber a razão dito. Isso sim!
E o que o nível subatômico tem a ver com a criação do universo, afinal de contas? Tudo! Este senhor de distâncias incalculáveis foi originado em um buraco-negro (uma estrela que consegui eclipsar-se e que suga tudo, até a luz, tamanha força gravitacional desta belezinha), que tem as mesmas propriedades físicas das partículas malucas que a física quântica estuda há algum tempo. Ou seja, o universo, assim como as inescrutavelmente diminutas partículas do leite que você toma no seu café da manhã, apareceu do nada! E, como nos buracos-negros até mesmo o tempo pára, literalmente, não havia tempo para justificar um "antes". 

Entendeu? Não? Mas como???

Veja por este lado: se você acha que, mesmo aceitando a teoria (e teoria não é algo a ser provado, apenas no "papel" ainda, please) do Big-Bang, alguma coisa - deus, ou uma força criadora inteligente, que seja - necessariamente precisa ter iniciado o processo, você está equivocado, pois as leis naturais que regem tudo no vasto aglomerado de matéria, energia e espaço (certo, Einstein, simplificou isso, unindo matéria e energia) explicam satisfatoriamente como as coisas podem, e surgem, do nada. Isso, para mim, e para um número significativo de carinhas que chafurdam em horas e horas de pesquisa, de estudo intenso, e que tem muito, mas muito mesmo, para nos ensinar, é muito mais elegante (aliás, é muito mais incrível) que um dedo mágico apontando para o nada e dizendo: faça-se a luz (é assim que se diz?)!

Então, antes de sair por aí dizendo que nada vem do nada, que tal informar-se um pouquinho mais? 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A verdade está lá fora?


Nosso universo tem, aproximadamente, 1 bilhão de trilhões de estrelas. Só a nossa galáxia tem 400 bilhões de estrelas. O quão provável é a possibilidade de existir vida fora do nosso pálido ponto azul (ah, Sagan, meu herói)? Em respeito a verdade, alguns cientistas já nos forneceram evidências de fósseis bacterianos em meteoritos vindos de Marte, pois há muito tempo, parece,a superfície deste planeta fora coberta de água, e onde há água, há uma chance enorme de existir vida. Mas são simples bactérias, não há graça nenhuma nisso (lembre-se que nós já fomos simples bactérias, antes de considerar isto um tédio). 
E vida, sendo mais específico, inteligente? 
Apesar da insuperável - ou algo perto disso - vontade de muitos em responder prontamente que sim, existe vida inteligente (aqui mesmo, a coisa é rara) fora da Terra, não há uma evidência sequer, até hoje (2 de dezembro de 2011), que sustente a afirmação categórica de muitos crédulos a respeito da existência de seres que tenham vindo de algum outro lugar deste nosso gigantesco universo. Todas as alegações, quando postas sob a observação rigorosa do método científico, são desqualificadas de imediato e, por consequência, explicadas como fenômenos há muito conhecidos pelos cientistas. 
Poxa, quer dizer então que estamos sozinhos nesta vizinhança galática nada modesta em termos geográficos? Eu, tampouco os mais sérios e respeitados astrônomos e astrofísicos, afirmamos isto. Consideramos (eu não estou me colocando no mesmo patamar que estes caras, por favor) que há boas chances de existir vida inteligente "lá fora", e a ciência até mesmo já encontrou um, ou outro, planeta que parece fornecer algumas (veja bem, eu disse algumas) das condições necessárias para o abrigo da vida "como" a conhecemos (outro tema de muito debate), mas nada além disso. Nadica de nada. 
Para os entusiastas, um número desconcertante de aparições "provam" que estamos sendo visitados. Há uma biblioteca inteira de livros que nos garantem isso. Um número maior ainda de pessoas, até bem intencionadas, que juram de pé junto, já terem visto espaçonaves e ETs. Mas, revelador mesmo é o número 99,3%. Este é o número de OVNIs identificados (engraçado, não é mesmo? eu acho) pelos observadores imparciais e até mesmo por astrônomos amadores (balões meteorológicos são os campeões de confusão), usando um pouco só de conhecimento científico (vale lembrar que, infelizmente, parece que a maioria da população mundial é analfabeta cientificamente).  
E, que mal há, de qualquer jeito, em crer que estamos, apesar de todas as provas contrárias, sendo visitados por ETs ultramegahiperevoluídos que vivem a nos abduzir e tem uma incompreensível obsessão por experiências de natureza sexual? Que tal esta resposta: tal crença lhe deixa fragilizado e muito mais exposto ao primeiro charlatão que usará esta para explorá-lo (financeiramente na maioria esmagadora das vezes), provocando um enorme prejuízo material e emocional não só à sua pia pessoa, mas, provavelmente, àqueles que vivem próximos à você e que não partilham deste fervor alucinatório.  
A verdade está lá fora? Pode até estar, mas antes você precisa procurar pelas que estão aqui, primeiro.      

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por que você é ateu?


Há uma briga, ou algo parecido, acontecendo entre aqueles que não acreditam em Deus. Esta parece ocorrer basicamente em função da resposta à pegunta deste post. Como assim? Quando você "manda": sou ateu porque não acredito em deus, ou , nego deus - como define o léxico - e pronto, nada mais, mas ainda cultiva uma série de preconceitos já derrubados pela ciência (como os de cor, orientação sexual, classe social, educacional e muitos outros), está demonstrando o que muitos pensadores chamam de ateísmo raso, ou ateísmo de dicionário. E, há algum problema nisso? Aparentemente sim. Acontece que o ateísmo é um pouco mais que isso. É um pouco mais do que negar deus, que não acreditar na existência de tal entidade. Esta é uma consequência do ateísmo, e não a causa. O ateísmo é - eu penso, ao menos - um sistema de observação fundamentado na reflexão crítica de assuntos que são essencialmente indispensáveis à vida em comunidade. Esteja esta em qualquer um dos lados da linha do equador.
Ser ateu é estar irremediavelmente comprometido com a humildade do equívoco - sem gritá-lo à todos - e com a verdade, muitas vezes momentânea, das certezas científicas, ainda que estas nos desagradem substancialmente. Ser ateu, ou atéia, me desculpem as gurias pelo esquecimento, é ter certeza de que uma crença infundada será significativamente perniciosa, em algum momento, para um número assustador de homens e mulheres que darão continuidade à estas atitudes porque simplesmente abriram mão de pensar sobre elas, e usar esta certeza como instrumento de luta contra estes jugos. Ser ateu é abrir a boca contra injustiças de toda natureza, ainda que estas pareçam estar protegidas pelas diferenças culturais e pela roupa puída da religiosidade. Ser ateu é pensar sobre suas posições políticas, econômicas, pedagógicas e seja lá o que for, quando confrontadas com o conhecimento científico que desafia estas posturas. Ser ateu é negar o engodo da falácia pseudocientífica que vive às custas do discurso pomposo daqueles que usam as crendices insustentáveis para ludibriar e explorar a população. Ser ateu é estar vacinado contra dogmas que são forjados na ignorância pertinente dos extorquidos. Ser ateu é muito mais que apenas negar deus, seja ele abraâmico, nórdico ou helênico (só pra ficar nuns poucos). Ser ateu é estar comprometido com a verdade, ainda que ela venha a desmentir tudo aquilo que defendemos fervorosamente um dia
Mas, espere um pouco: não posso ser tudo isso, sem ser ateu? Talvez, mas será difícil resistir à retórica sedutora daqueles que lhe afirmam que isso tudo depende de um criador universal, de que existem coisas que não podem, simplesmente, ser explicadas pela razão e que devemos, desta maneira, ter fé somente, ficando, assim, à mercê de alegações que produzem erros e, por consequência, malefícios indefensáveis do ponto de vista ético e moral (não só à espécie humana, pois a crença de que somos o paroxismo da existência ainda produz a exploração cruel de outras espécies e do ambiente).
Por que você é ateu? 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fala baixo, Deus castiga!


Um dos meus trabalhos é em uma academia de ginástica. E, um dos - senão for o mais - insistentes mitos propalados, e afirmados, pelos leigos, nos meandros da fisiologia humana submetida ao esforço dos exercícios físicos regulares e sistemáticos (os especialistas que me perdoem o pleonasmo), é a relação mágica entre os famosos abdominais e o sumiço da gordura localizada nesta região (também conhecida por pança). Caramba, porque diabos estou falando isso? Porque, dia destes, tive mais uma - das zilhões - conversa sobre esta relação entre exercícios abdominais e barriga tanquinho com um aluno e - pela trocentésima vez - tentei enfiar na cabeça desta galera que isto é um mito, lenda, folclore, ainda que tais conceitos não estejam fazendo justiça ao erro de tal raciocínio. E esse momento forneceu o ensejo para que eu ilustrasse tal crença com outro exemplo. Qual? Agora sim, você entendeu, afinal este é o Mundo Ateu! Disse à ele que esta crença não encontrava nenhuma sustentação na literatura científica. Nunca houve uma só evidência de boa qualidade na História das evidências que justificasse esta fé nos exercícios abdominais. Assim como não há nenhuma para você acreditar que, lá em cima - apontei para o firmamento, é claro - mora um ser invisível responsável por toda a existência. Aqui, vou tentar reproduzir o breve diálogo:
(Aluno) - O quê? Como você fala isso?
(Eu) - E porque não?
(Aluno) - Você não pode falar assim?
(Eu) - E porque não?
(Aluno) - Porque deus castiga! 
(Eu) - Ã?
(Aluno) - Shiiiiiii..fala baixo, Deus castiga! (expressão séria, decidida)

Fim da conversa.

Depois disso, o crédulo foi embora, pois sua hora já havia terminado, e eu fiquei remoendo a proto-aposta de Pascal que ele formulou, muito toscamente, é claro, mas que me pedia para falar baixo, como se tal atitude amenizasse minha situação com jeová, o onisciente. Putz! 
Fechei a academia, entrei no carro e, antes de dar a partida, pensei no universo de pessoas que tem certeza absoluta (outra redundância necessária) dos castigos que eu, e todos os ateus, receberei pelo simples fato de não acreditar, independente de tentar levar uma vida justa e honesta, praticando, em quase todas as ocasiões, valores universais que se traduzem no bem estar do próximo. 

Acho que não vou falar baixo coisa nenhuma!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

É milagre, não tá vendo?


Hoje vou expor minha irritação sobre a cegueira que assalta boa parte - senão todos - dos crentes (sem conotações pejorativas ao termo, por favor, caso contrário vão deixar de lado todos os píos aos quais me dirijo) colocados diante daquilo que vou chamar de "O dilema da crença ignara". Do que estou falando? Vou dar um exemplo, que ilustra todos os casos semelhantes: um ônibus cai num precipíco e causa a morte de todos os passageiros, menos um, é claro. Como assim, "é claro"? Claro porque este felizardo- ou nem tanto assim -  é o que basta para a afirmação imediata de que a mão divina foi a reponsável pela sua sobrevivência. Ou como explicar tal fato? Só pode ter sido o legislador cósmico, ora essa!
Então, é aí que o tal dilema, supracitado, entra em cena. Se o arquiteto inteligente quis provar sua existência, por que deixou várias pessoas se ferrarem (isso é eufemismo?) e um único (traumatizado pra cacete a vida toda, provavelmente) infeliz vivo? Por que ele precisa deste meios nada sutis para dizer-nos, "ei, tão vendo como eu sou misericordioso"? Por que as pessoas insistem em ver, nestas desgraças, o acaso como milagre? (Sem falar dos familiares daquela gente toda que foi pras cucuias, e vão chorar uma vida inteira suas perdas). Dilema da crença ignara! Taí a resposta. E não vale correr e pedir ajuda para o lívre arbítrio, por mais que não faça sentido algum tal desespero metafísico. Acho que fiz um bem à humanidade e criei uma teoria nova que explica toda essa verborragia milagreira! Êita nóis!

E se você acha que isso ( só isso?) não é nenhum pouco irritante, é porque já está atolado na sutileza falaciosa do dilema. Mas, não fique assim, ainda é tempo de enfurecer-se contra esta ignorância, e mandar sua deficiência para os infernos!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tá tudo dominado!


Há quem diga que o Brasil é um estado laico. E, esse indivíduo está certo. Nossa constituição corrobora tal sentença. Está lá, para quem quiser ver, ou ler, tanto faz. Religião e governo, aqui, onde ouvimos do Ipiranga um brado retumbante, às margens plácidas, estão separados! Exultante, não é mesmo? Eu diria que sim, pois nossos representantes, eleitos democraticamente (?), estão sentados na confortável poltrona da separação entre estas duas instituições.
Mas, todavia, entretanto, porém, contudo, a prática não parece considerar a teoria. Na verdade, escarnece desdenhosamente (isso é pleonasmo?) deste artigo constituínte! Vamos escancarar (se é que precisa): nosso estado é refém histórico dos interesses religiosos, especialmente do proselitismo acintoso cometido por um grupo, em particular. Já sabem de quem estou a falar, ou escrever (ah, tanto faz vai), não é mesmo? Católicos!! Somos, como federação, soberanos de meia pataca quando o assunto, seja ele qual for, envolve o interesse da alta cúpula do credo apostólico-católico-romano. Sincretismo? Talvez no léxico. Talvez.
Nos prédios públicos, o simbolo máximo do cristianismo é imposto com uma unilateralidade furibunda, me dou o direito de adjetivar. Principalmente se outras crenças forem levadas em consideração (não, eu nas as levo, mas é esclarecedor ilustrar meu argumento com outros credos) nos seus direitos, completamente assegurados pela lei, de terem seus símbolos apregoados donde quer que seja, uma vez que resguardem o respeito à descrença, também (tá difícil...).  
Estado laico, secularista, é, infelizmente (mesmo!), uma utopia na mais inflexível acepção da palavra, para a infelicidade geral de uma nação explorada, extorquida, vitimizada, violentada nos seus direitos mais básicos, que paga juros sobre juros todo santo (ops!) mês em razão da covardia, nenhum pouco velada, de um Estado servil aos caprichos cruéis da religião. Quer que eu os cite? Ei, em que país você vive? Em uma terra secularista é que não é. 
Ah, ia me esquecendo das escolas púlicas (que vergonha)... 

sábado, 29 de outubro de 2011

I see dead people


Houve uma época em que eu cria, com todo temor possível, em uma série de coisas que não podem ser avaliadas pelas ferramentas do método científico. Essa crença era alimentada pelo dualismo cartesiano, normal durante a nossa infância. Quando crianças, temos essa natural tendência em dividir as coisas em opostos conceitualmente inconciliáveis. A consequência óbvia disto é a aceitação quase inquestionável, pela maioria dos 7 bilhões de humanos que pisam atualmente neste planeta, da separação entre material e imaterial, muito especialmente se esta "indiscutível" distinção diz respeito à nós. Acho que você já sacou do que estou falando, ou escrevendo (tanto faz). Não? Então, toma: temos um corpo, material, habitado por um espírito, ou alma, imaterial (poxa, isso é tão lugar comum que até me senti constrangido em anunciar), que deixará este receptáculo, constituído de músculos, ossos, nervos, pele e todo tipo de tecido que deixarei de fora dos exemplos, assim que, eufemisticamente, partirmos deste mundo (outro conceito cartesiano: este mundo!). Pois bem, então. Passei uma boa parte da minha adolescência, e da vida adulta, sem questionar essa certeza, sem, ao menos, pensar sobre! Fala sério. 
Mas aí, como sói ocorrer com todo - tá, tá, nem com todos - indivíduo que dá de cara (ainda que não esteja procurando) com argumentos, simples, que se recusam a aceitar este dogma (sim, isso é um dogma! Central em toda crença, pode investigar. Vai lá, vai.), comecei a ficar incomodado com toda insustentabilidade das "evidências" fornecidas pelos defensores do além túmulo. Mesmo que nunca houvesse existido uma só manifestação desta natureza que pudesse, de qualquer maneira, ser sustentada por provas (os crentes - sem conotação pejorativa - se irritam com esta palavra, eu bem sei) irrefutáveis (todos os fenômenos foram desmascarados sim senhor), os argumentos a priori e a posteriori arquitetados, muitas vezes, com sinceridade emocionante, garantindo-nos toda a parafernália espiritual, não se abalam, nenhum pouquinho que seja. Ao contrário, aqueles que acreditam, recrudescem ainda mais seu arsenal retórico, reforçando-o com um grande número - eles consideram que são um grande número - de evidências que nós, céticos, não, simplesmente, queremos aceitar, porque somos truculentos demais em nossas arrogantes certezas científicas, sem a sensibilidade necessária para aquilo que está fora do alcance do que sonha nossa vã filosofia (Shakespeare que me perdoe. Ei, acho que ele não pode mais fazer isso). Só para refrescar-me a memória: no post sobre fundamentalismo, deixei claro que não é bem assim.
Ok, você pode me perguntar: cara, que mal há, ainda que seja tudo um monte de baboseira crédula, em aceitar a existência de uma outra vida, em outro mundo, que só nós é possível depois que formos (olha o eufemismo aí novamente) desta pra melhor? Well, welll...nenhum, se, e só se, centenas de milhares de pessoas não fizessem disto a justificativa para atitudes que, em qualquer outra esfera da vida humana, seria indefensável. Você pode enumerar um Himalaia destas, tenho certeza. E, ainda que os moderados, e sensatos (?), a esse respeito existam aos borbotões, sua moderação e tolerância dá abrigo (é só pensar um pouco só sobre isso e terá uma surpresa) aos absurdos da certeza metafísica. 

Malditos Descartes e Platão! 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Meu oxímoro favorito!

Há muito me pergunto: como pessoas aparentemente sensatas, donas de uma inteligência considerável, que usam a razão para resolver praticamente todos os problemas que lhes visitam regularmente, acreditam com veemência no sobrenatural, ainda que não exista uma só virgula de evidência sólida para tais crenças? Como essas pessoas sustentam hercúleamente a certeza inflexível de um criador divino e pessoal, endereço de todas as virtudes mais valorosas, ainda que exista uma massiva contradição lógica natural para tal? Como pessoas adultas, com sugestivo nível cultural e acadêmico, não se sentem, por um único instante, incomodadas com o malabarismo de argumentos que insistem em convencer-nos da infantilidade das alegações metafísicas que "provam" deus, deuses, espíritos e toda o séquito mitológico a seguir tais afirmações? Como, mesmo diante dos mais insofismáveis documentos que elucidam toda a parafernália histórica e cultural, e suas intenções, pessoas inteligentes continuam a garantir-nos que somos especiais para uma entidade pueril e tão provável quanto o bule de Russell? Como? 
Eu tenho algumas teorias sobre, é claro, mas não vou compartilhá-las neste momento, embora estas ainda não me convençam do surrealismo ao qual tais pessoas parecem estar presas. E, então, você sabe, ou pode elucubrar, como??????  

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fundamentalismo ateu


Não é raro encontrarmos, na rede, respostas calorosas de crentes, e até mesmos céticos, à posição radical e, consideram alguns, ostensivamente intolerante de alguns ateus à toda manifestação, ou melhor, afirmação de cunho religioso. Estas respostas geralmente usam a palavra fundamentalista para classificar tais posturas ateístas. Bem, o que é fundamentalismo? De acordo com o dicionário: 

1) Atitude de intransigência ou rigidez na obediência a determinados princípios e regras;
2) Doutrina que defende a fidelidade absoluta a interpretação literal dos textos religiosos;

Penso que ficou muitíssimo claro o que significa tal palavra, não é mesmo? Acontece que, depois de esclarecida tal definição, fica difícil, extremamente, acusar os ateus de fundamentalistas. Se você ainda não entendeu, vou explicar: um fundamentalista, na acepção da palavra, é aquele que não aceita, e não aceitará, nenhum, nenhunzinho sequer, argumento que contradiga suas crenças (sejam elas cristãs, judaicas, islâmicas, espíritas, budistas, xintoístas, cientologistas??, ou seja lá qual for a crença que você queira por em xeque), pois estas não estão fundamentadas em evidências (não confunda uma certeza manifesta, exposta pelo rigoroso escrutínio científico, com as "provas" fornecidas pelos fieis) mas sim na vontade inamovível em querer acreditar, como nos disse Carl Sagan. Assim, não importa o quão consistentes e avassaladoras sejam as evidências físicas (e elas existem às centenas)  que trituram toda a retórica religiosa, e fraturam, implacáveis, os alicerces claudicantes dos argumentos teístas e/ou sobrenaturais, os crentes fundamentalistas não recuarão um passo nas suas convicções. Isso é fundamentalismo. Para alguns ateus, e céticos, nosso fundamentalismo reside exatamente no oposto: basta uma única evidência, apenas uma, só uma, nada mais do que isso, por favor, de que existe um criador, arquiteto inteligente, artesão habilidoso, ou seja lá o adjetivo que se queira empregar, com todas as qualidades delegadas à este ser, assim como para qualquer afirmação de ascendência sobrenatural (espíritos, almas, fenômenos paranormais em geral, e todo o calhamaço de informações e alegações que estão fora da natureza e por isso - que conveniente - não podem ser investigados pelo método científico) e nós mudamos nosso discurso e nossa "crença" na mesma hora. Mostre-nos que, depois de passar por todos os rigorosíssimos estágios da investigação científica, certo fenômeno se sustenta e iremos, então, reconhecer: estávamos errados! Mas, é lógico, tais manifestações não podem ser consideradas pela ciência, pois esta, apesar de ser o melhor instrumento já criado pelo ser-humano para separar-nos da estupidez completa, nunca conseguirá estudar a essência destas afirmações, apesar destas se manifestarem fisicamente em nosso mundo regido por leis naturais já conhecidas (isso não é no mínimo engraçado?).
Assim, passamos à outras questões, por obséquio, pois o fundamentalismo ateu está encostado em algo imprescindível à vida adulta e sensata, que não se deixa enganar por afirmações que causam, se não em todas, em quase todas as vezes, prejuízos reais, nada metafísicos. 
Não sabe, ainda, do que estou falando? Então, de novo, lá vai: provas! 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mundo Ateu?


Sejam bem vindos, ímpios e pios, ao Mundo Ateu! Aqui, neste logradouro, serão discutidos, comentados, criticados e o que mais me der na telha, assuntos referentes à religião e seus abusos (embora eu considere religião e abuso, na mesma frase, pleonasmo vicioso), à crença e toda a estupidez justificada em seu nome. Não será um espaço para meias palavras, mas não será, também, um local de ataque gratuito.
 Bem, se você tem certeza, como eu, que um ser invisível, morando no céu, que ouve preces, embora quase nunca as atenda (o quase faz justiça às meras coincidências), seja um resquício infeliz da primeira infância da humanidade, usado por espertalhões para explorar financeiramente um número inacreditável de homens e mulheres e lesar o Estado com a isenção de impostos, sem falar das atrocidades cometidas contra outros seres-humanos que creem no mesmo ser, mas discordam em alguns detalhes, o Mundo Ateu é seu endereço!
 Mas, se você acredita com toda a força do seu coração que existe um cara que está em todos os lugares ao mesmo tempo, que sabe de tudo e que pode tudo, que se interessa pela sua vida e tem planos, não só para você, mas para o resto do mundo todo, e que não pode ser escrutinado pela limitadíssima inteligência humana (embora suas afirmações contradigam isso), o Mundo Ateu também é pra você! Só não vale xingar, caso não concorde com minhas sinceras opiniões. 
Ah, ia me esquecendo: aqueles que desejarem enviar textos, fiquem à vontade. Se me agradar, posto! Se não, sem ressentimentos. 
O Mundo Ateu será patrocinado pela Sensatez, pela Lógica e pela Razão. Aquilo que ferir os interesses dos nossos patrocinadores será terminantemente...hum, vejamos...colocado em discussão! Que venham as idéias!