Um dos meus trabalhos é em uma academia de ginástica. E, um dos - senão for o mais - insistentes mitos propalados, e afirmados, pelos leigos, nos meandros da fisiologia humana submetida ao esforço dos exercícios físicos regulares e sistemáticos (os especialistas que me perdoem o pleonasmo), é a relação mágica entre os famosos abdominais e o sumiço da gordura localizada nesta região (também conhecida por pança). Caramba, porque diabos estou falando isso? Porque, dia destes, tive mais uma - das zilhões - conversa sobre esta relação entre exercícios abdominais e barriga tanquinho com um aluno e - pela trocentésima vez - tentei enfiar na cabeça desta galera que isto é um mito, lenda, folclore, ainda que tais conceitos não estejam fazendo justiça ao erro de tal raciocínio. E esse momento forneceu o ensejo para que eu ilustrasse tal crença com outro exemplo. Qual? Agora sim, você entendeu, afinal este é o Mundo Ateu! Disse à ele que esta crença não encontrava nenhuma sustentação na literatura científica. Nunca houve uma só evidência de boa qualidade na História das evidências que justificasse esta fé nos exercícios abdominais. Assim como não há nenhuma para você acreditar que, lá em cima - apontei para o firmamento, é claro - mora um ser invisível responsável por toda a existência. Aqui, vou tentar reproduzir o breve diálogo:
(Aluno) - O quê? Como você fala isso?
(Eu) - E porque não?
(Aluno) - Você não pode falar assim?
(Eu) - E porque não?
(Aluno) - Porque deus castiga!
(Eu) - Ã?
(Aluno) - Shiiiiiii..fala baixo, Deus castiga! (expressão séria, decidida)
Fim da conversa.
Depois disso, o crédulo foi embora, pois sua hora já havia terminado, e eu fiquei remoendo a proto-aposta de Pascal que ele formulou, muito toscamente, é claro, mas que me pedia para falar baixo, como se tal atitude amenizasse minha situação com jeová, o onisciente. Putz!
Fechei a academia, entrei no carro e, antes de dar a partida, pensei no universo de pessoas que tem certeza absoluta (outra redundância necessária) dos castigos que eu, e todos os ateus, receberei pelo simples fato de não acreditar, independente de tentar levar uma vida justa e honesta, praticando, em quase todas as ocasiões, valores universais que se traduzem no bem estar do próximo.
Acho que não vou falar baixo coisa nenhuma!
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