Não é raro encontrarmos, na rede, respostas calorosas de crentes, e até mesmos céticos, à posição radical e, consideram alguns, ostensivamente intolerante de alguns ateus à toda manifestação, ou melhor, afirmação de cunho religioso. Estas respostas geralmente usam a palavra fundamentalista para classificar tais posturas ateístas. Bem, o que é fundamentalismo? De acordo com o dicionário:
1) Atitude de intransigência ou rigidez na obediência a determinados princípios e regras;
2) Doutrina que defende a fidelidade absoluta a interpretação literal dos textos religiosos;
Penso que ficou muitíssimo claro o que significa tal palavra, não é mesmo? Acontece que, depois de esclarecida tal definição, fica difícil, extremamente, acusar os ateus de fundamentalistas. Se você ainda não entendeu, vou explicar: um fundamentalista, na acepção da palavra, é aquele que não aceita, e não aceitará, nenhum, nenhunzinho sequer, argumento que contradiga suas crenças (sejam elas cristãs, judaicas, islâmicas, espíritas, budistas, xintoístas, cientologistas??, ou seja lá qual for a crença que você queira por em xeque), pois estas não estão fundamentadas em evidências (não confunda uma certeza manifesta, exposta pelo rigoroso escrutínio científico, com as "provas" fornecidas pelos fieis) mas sim na vontade inamovível em querer acreditar, como nos disse Carl Sagan. Assim, não importa o quão consistentes e avassaladoras sejam as evidências físicas (e elas existem às centenas) que trituram toda a retórica religiosa, e fraturam, implacáveis, os alicerces claudicantes dos argumentos teístas e/ou sobrenaturais, os crentes fundamentalistas não recuarão um passo nas suas convicções. Isso é fundamentalismo. Para alguns ateus, e céticos, nosso fundamentalismo reside exatamente no oposto: basta uma única evidência, apenas uma, só uma, nada mais do que isso, por favor, de que existe um criador, arquiteto inteligente, artesão habilidoso, ou seja lá o adjetivo que se queira empregar, com todas as qualidades delegadas à este ser, assim como para qualquer afirmação de ascendência sobrenatural (espíritos, almas, fenômenos paranormais em geral, e todo o calhamaço de informações e alegações que estão fora da natureza e por isso - que conveniente - não podem ser investigados pelo método científico) e nós mudamos nosso discurso e nossa "crença" na mesma hora. Mostre-nos que, depois de passar por todos os rigorosíssimos estágios da investigação científica, certo fenômeno se sustenta e iremos, então, reconhecer: estávamos errados! Mas, é lógico, tais manifestações não podem ser consideradas pela ciência, pois esta, apesar de ser o melhor instrumento já criado pelo ser-humano para separar-nos da estupidez completa, nunca conseguirá estudar a essência destas afirmações, apesar destas se manifestarem fisicamente em nosso mundo regido por leis naturais já conhecidas (isso não é no mínimo engraçado?).
Assim, passamos à outras questões, por obséquio, pois o fundamentalismo ateu está encostado em algo imprescindível à vida adulta e sensata, que não se deixa enganar por afirmações que causam, se não em todas, em quase todas as vezes, prejuízos reais, nada metafísicos.
Não sabe, ainda, do que estou falando? Então, de novo, lá vai: provas!
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