sexta-feira, 2 de março de 2012

Ave, Maria!


Alguns imperadores romanos são notórios por sua arrogância, petulância, prepotência e um calhamaço de vícios que nascem, insofismavelmente, do poder, ainda mais quando absoluto. Megalomaníacos ao absurdo do extremo, foram indivíduos que deixaram a História da humanidade um pouco mais plena de vergonha daquilo que os homens - espécie, não gênero - são capazes em nome da loucura autoritária inerente à detenção do poder. Soma-se à esse caldeirão urente de interesses - dos mais mesquinhos aos mais corporativistas - a perspectiva astuta da religião, e teremos uma série de consequências nada altruístas para os governados e, em alguns casos - como o que citarei - até mesmo para os indivíduos de um futuro remoto àquela época de césares tresloucados.
Do que estou a falar, afinal? O título do post não deixa claro? Pois bem, meus caros amigos, e amigas, acontece que, em um passado de glórias palacianas, o império romano abrigou alguns celerados, déspotas muito bem esclarecidos, que usaram e abusaram da crença alheia para manipular (acho que hoje ainda é assim...) sem descanso à fé dos pios, por meio dos Concílios (reunião de autoridades eclesiásticas) que deliberavam sobre todo e qualquer artigo de fé que pudesse ser útil aos interesses dos comandantes. E, adivinha? Um destes artigos, atendendo a uma necessidade premente à época, pois Estado e igreja estavam sendo prejudicados por cultos à deusas mães pagãs, resolveu por elevar uma senhora distinta (que a tradução do hebraico para o grego tratou de "errar"  o moça para virgem) ao status que hoje é cultuado por bilhões de cristãos ao redor do mundo todo: a virgem Maria! Isso mesmo, até a época deste famigerado Concílio, a mãe do ungido nada mais era que uma simples personagem bíblica sem a máscara de divindade acrescentado por imperadores e bispos sedentos por arrebanhar o séquito que se perdia em outros cultos.
Então, fervorosos devotos de nossa senhora (sua? minha não, definitivamente), saibam que a imaculada conceição que tanto cultuam é uma construção histórica, feita por homens que estavam unicamente interessados em usar uma figura bíblica para atingir objetivos ímprobos, dos mais egoístas, a serviço de uma ideologia que, ainda hoje, vestidas com as roupas alegres da democracia, dirige a vida da esmagadora maioria daqueles que vivem em genuflexão, não só da articulação femuro-tibial, mas do espírito (ei, tu sabes que não acredito nessa coisa de espi...ah, deixa pra lá, vocês sabem).
Então, pereirões adoradores de nossa senhora (essa mesmo que vive a aparecer nos mais ermos lugares; essa que vive a chorar e dar cores à imagens, ainda que a ciência não veja cor nenhuma; essa que vive a chorar em estátuas e a sussurrar meia duzia de parlapatices à meia dúzia de ignorantes), séquito crudelíssimo da virgem (ops, o certo é moça, moooooçaaaaa, sem a conotação sexual pejorativa empregada hoje; é moça, sinônimo de jovem!!!) Maria, seria tão bom se dirigissem seus agradecimentos ao acaso indiferente, ou à toda ação humana que, invariavelmente, define os rumos de todas as vidas. 
Graças a minha virgem santíssima? Ah, por favor!!! Que tal um pouco de História?    

Nenhum comentário:

Postar um comentário